Setembro Amarelo nas empresas: o que a NR-1 exige

Setembro Amarelo nas empresas: o que a NR-1 exige


5 pontos para transformar conscientização em prevenção no ambiente de trabalho

Setembro termina. Os riscos psicossociais também?

O amarelo sai das redes sociais, as campanhas terminam e a rotina volta ao normal.

Mas e a sobrecarga?
E o assédio?
E a falta de apoio?
E a pressão excessiva?
E os conflitos no ambiente de trabalho?

Esses fatores não seguem o calendário.

Por isso, falar sobre Setembro Amarelo nas empresas também é falar sobre saúde mental no trabalho, NR-1 e prevenção dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

Desde 26 de maio de 2026, a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 passou a incluir expressamente esses fatores no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A mudança reforça que a organização do trabalho também precisa fazer parte da gestão preventiva de Segurança e Saúde no Trabalho.

Mas o que isso significa na prática?

Mais do que promover uma palestra ou publicar uma mensagem de conscientização, as empresas precisam olhar para as condições reais de trabalho, identificar fatores de risco e implementar medidas de prevenção.

Confira 5 pontos importantes sobre Setembro Amarelo, NR-1 e riscos psicossociais no trabalho.

1. Setembro Amarelo pode começar a conversa, mas a prevenção precisa continuar

O Setembro Amarelo é um importante período de conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. No ambiente corporativo, a campanha pode abrir espaço para falar sobre acolhimento, respeito, escuta e saúde mental no trabalho.

Mas uma ação pontual não transforma, sozinha, a realidade de uma organização.

Uma empresa pode realizar uma palestra sobre saúde mental e, ao mesmo tempo, manter sobrecarga, pressão excessiva, conflitos, assédio ou falta de suporte no dia a dia.

Por isso, a campanha pode ser um ponto de partida para perguntas mais importantes:

  • As pessoas conseguem falar sobre dificuldades no trabalho?

  • As lideranças estão preparadas para ouvir e agir?

  • As metas e os prazos são compatíveis com a realidade da operação?

  • Os conflitos são tratados ou acabam sendo normalizados?

  • Existem canais seguros de comunicação?

  • As ações de prevenção continuam depois de setembro?

O Setembro Amarelo chama atenção para o tema. A gestão cotidiana é que transforma conscientização em prevenção.

2. A NR-1 passou a incluir expressamente os riscos psicossociais relacionados ao trabalho

Uma das principais mudanças da NR-1 em 2026 foi a inclusão expressa dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no escopo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

O MTE destaca que esses fatores estão relacionados à forma como o trabalho é planejado, organizado e gerenciado. Entre os exemplos apresentados pelo Ministério estão excesso de demandas ou sobrecarga, assédio de qualquer natureza e falta de suporte ou apoio no trabalho.

Na prática, isso significa que a empresa precisa olhar não apenas para os riscos tradicionalmente associados à Segurança e Saúde no Trabalho, mas também para situações presentes na organização do trabalho que podem contribuir para o adoecimento.

Podemos citar, entre outros:

  • Sobrecarga de trabalho;

  • Excesso de demandas;

  • Assédio e violência no trabalho;

  • Falta de apoio;

  • Baixa clareza sobre funções e responsabilidades;

  • Falta de autonomia;

  • Comunicação inadequada;

  • Conflitos nas relações profissionais;

  • Isolamento ou falta de suporte no trabalho remoto;

  • Mudanças organizacionais mal gerenciadas.

O ponto central é importante:

gestão de riscos psicossociais não significa avaliar a fragilidade emocional de cada trabalhador.

Significa analisar o trabalho e as condições em que ele acontece.

3. O foco está nas condições de trabalho — e não na fragilidade individual

Quando uma pessoa apresenta sinais de sofrimento relacionado ao trabalho, é importante evitar uma análise que coloque toda a responsabilidade sobre ela.

A pergunta não deve ser apenas:

“O que há de errado com essa pessoa?”

Também é preciso perguntar:

“O que, na forma como esse trabalho está organizado, pode estar contribuindo para esse problema?”

Esse olhar é fundamental na gestão dos riscos psicossociais no trabalho.

A empresa precisa observar aspectos como:

  • Como as demandas são distribuídas;

  • Se os prazos são realistas;

  • Se as responsabilidades estão claras;

  • Como as lideranças oferecem suporte;

  • Como os conflitos são tratados;

  • Se existem situações de assédio ou violência;

  • Qual é o nível de autonomia dos trabalhadores;

  • Como mudanças organizacionais são conduzidas;

  • Quais são as condições reais para execução das atividades.

O próprio direcionamento do MTE reforça que a gestão dos fatores de risco psicossociais deve estar relacionada às condições e à organização do trabalho, e não à investigação de características individuais dos trabalhadores.

Prevenir também significa olhar para a causa, e não apenas para o sintoma.

4. Riscos psicossociais fazem parte do GRO e precisam ser gerenciados

Aqui está uma diferença importante para as empresas entenderem:

GRO é o processo de gerenciamento.
PGR é a materialização desse processo.

O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) é um processo contínuo de identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos ocupacionais.

Sua implementação deve ser formalizada por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que deve conter, no mínimo:

  • Inventário de Riscos Ocupacionais;

  • Plano de Ação.

O MTE reforça que a gestão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho não constitui um programa separado, mas integra o próprio GRO.

Na prática, a empresa precisa:

  1. Conhecer as atividades e as condições reais de trabalho;

  2. Identificar os fatores de risco;

  3. Envolver os trabalhadores nesse processo;

  4. Avaliar e classificar os riscos;

  5. Registrar as informações nos instrumentos aplicáveis;

  6. Definir medidas de prevenção;

  7. Implementar as ações previstas;

  8. Acompanhar os resultados e revisar o processo quando necessário.

A Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) também tem papel importante nesse processo. O MTE orienta que a prevenção relacionada aos fatores psicossociais seja realizada no contexto do GRO, incluindo esses fatores na avaliação ergonômica prevista na NR-17.

E aqui está um ponto que merece atenção:

não basta produzir documentos. É preciso gerenciar os riscos identificados.

5. Campanhas, pesquisas e questionários não substituem prevenção

Durante o Setembro Amarelo, é comum encontrar empresas promovendo palestras, rodas de conversa, pesquisas e campanhas internas sobre saúde mental.

Essas iniciativas podem ser importantes.

Mas uma campanha não substitui a gestão dos riscos ocupacionais.

Também não existe um questionário único e obrigatório da NR-1 para avaliar riscos psicossociais. O MTE orienta que diferentes métodos podem ser utilizados, desde que sejam tecnicamente adequados ao contexto da organização.

A empresa pode utilizar, por exemplo:

  • Entrevistas;

  • Observação das atividades;

  • Questionários;

  • Grupos de discussão;

  • Oficinas;

  • Escuta dos trabalhadores;

  • Outros métodos adequados à realidade da organização.

O mais importante é que as informações obtidas sejam analisadas e utilizadas para orientar medidas de prevenção.

Por isso, uma pesquisa de clima arquivada ou um questionário aplicado uma única vez não representam, por si só, uma gestão completa dos riscos psicossociais.

Para transformar conscientização em prevenção, a empresa pode:

  • Capacitar lideranças;

  • Fortalecer canais seguros de comunicação;

  • Prevenir e combater situações de assédio e violência;

  • Revisar a distribuição de demandas;

  • Avaliar metas, prazos e jornadas;

  • Melhorar a clareza de funções e responsabilidades;

  • Envolver RH, SST, CIPA e lideranças;

  • Garantir cuidado com a confidencialidade das informações;

  • Atualizar o inventário de riscos e o plano de ação;

  • Acompanhar a efetividade das medidas implementadas.

Prevenção não é uma ação isolada. É um processo contínuo.

Setembro Amarelo e NR-1: da conscientização para a prática

Relacionar o Setembro Amarelo à NR-1 é uma oportunidade para as empresas ampliarem a conversa sobre saúde mental e, principalmente, transformarem conscientização em gestão preventiva.

A campanha ajuda a colocar o tema em evidência.

A NR-1 estabelece que os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho façam parte do gerenciamento dos riscos ocupacionais.

E a empresa precisa transformar isso em prática.

Isso significa olhar para situações como sobrecarga, assédio, falta de apoio, pressão excessiva, conflitos e problemas na organização do trabalho, identificando o que pode ser prevenido e quais medidas precisam ser implementadas.

Porque um ambiente de trabalho seguro não envolve apenas aquilo que conseguimos enxergar.

Também envolve aquilo que pode estar desgastando as pessoas todos os dias.

Setembro pode iniciar a conversa.

Mas o cuidado precisa continuar em outubro, novembro, dezembro — e durante todo o ano.

Como sua empresa está lidando com os riscos psicossociais?

A entrada em vigor das novas disposições da NR-1 em 2026 reforça a importância de integrar os fatores psicossociais ao gerenciamento de riscos ocupacionais. O MTE disponibilizou, inclusive, manual e materiais de orientação para apoiar empresas e profissionais de SST na aplicação do novo capítulo.

O Grupo FX oferece soluções em Saúde e Segurança do Trabalho, gestão de SST e Medicina Ocupacional, apoiando empresas na estruturação de processos preventivos e no cuidado com seus trabalhadores.

Sua empresa já está preparada para olhar para os riscos psicossociais de forma estratégica?

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